A Sociologia do Twitter

O Twitter comprova como a implementação de uma ideia simples pode trazer muitos benefícios para a comunidade. Já aprendi bastante com pequenas frases de 140 caracteres. Estou certo que não fui o único.
Apesar deste serviço de microblogging já ter sido mencionado na comunicação social mainstream, continua reservado a uma reduzida comunidade de pioneiros. São maioritariamente [...]

O Twitter comprova como a implementação de uma ideia simples pode trazer muitos benefícios para a comunidade. Já aprendi bastante com pequenas frases de 140 caracteres. Estou certo que não fui o único.

Apesar deste serviço de microblogging já ter sido mencionado na comunicação social mainstream, continua reservado a uma reduzida comunidade de pioneiros. São maioritariamente jovens com afinidades à informática. As massas participativas que animam blogues do Blogger ou WordPress continuam afastadas do Twitter – acredito que seja por desconhecimento e não por desinteresse.

Tipping Point

Um dia alguém realmente mediático começará a utilizar o Twitter. Nesse dia, os serviços de microblogging ganharão o respeito social merecido. Em Portugal, foi assim com os blogues. Só depois do Pacheco Pereira lançar o Abrupto é que outros líderes de opinião nacionais viram a blogosfera como um espaço credível. Serviu como desbloqueador de mentalidades.

Quando o Twitter chegar às massas, muitas pessoas vão questionar-se como puderam passar tanto tempo ao lado de uma ferramenta com tantas capacidades. Até isso acontecer, a actual comunidade vai ganhando forma. Como na sociedade, os espaços online são compostos por grupos de pessoas com comportamentos e ambições distintas.

As seis classes do Twitter

Sem querer fazer quaisquer juízos de valor, resolvi alinhar as seis classes de Twitters (aka. as pessoas que usam o Twitter) que me parecem representar melhor o Twitter hoje em dia:

Curioso – Ouviu falar do Twitter, registou-se e experimentou o sistema. Não ficou convencido. Visita ocasionalmente o site para ver o que os amigos dizem, mas praticamente não actualiza o seu espaço.

Social – Este é o género mais querido da comunidade. Possui actualizações abertas, cultiva uma postura bem-disposta e entra nas conversas mesmo quando não lhe dizem directamente respeito. Por estes motivos, acompanha e é seguido por muitos elementos da comunidade. Faz amigos com facilidade.

Reservado – As actualizações são publicas, mas raramente entra numa conversa quando não está directamente implicado.

Introvertido – As actualizações são privadas. Se o Twitter permitisse diferentes níveis de privacidade, talvez abrisse o seu espaço porque as suas divagações já não o poderiam comprometer.

Oportunista – Como se comporta? O Twitter é utilizado sobretudo para promover os conteúdos do seu blogue através do Twitterfeed. Adiciona outros utilizadores por genuíno interesse, interagindo com eles com alguma regularidade. Por isso, “oportunismo” aqui não pode ser classificado como algo negativo.

Arrivista – Possui conta no Twitter com o único objectivo de gerar tráfego para o seu site ou blogue. Adiciona, aleatoriamente, milhares de utilizadores na esperança de que alguns retribuam. É fácil identificar um arrivista porque a contabilidade entre os utilizadores que o seguem e os que segue é obviamente desproporcional.


Como adepto do Twitter, não poderia deixar de utilizar o serviço: http://twitter.com/carlosduarte.

Comentários»

1. As seis classes do Twitter - 2008/03/04

[...] via [Carlos Duarte] [...]

2. Alcides - 2008/03/04

Apesar de não gostar nada dessa vossa faceta dos “comunicadores” de categorizar tudo e mais alguma coisa, concordo plenamente com as 6 categorias, e conseguia percorrer a lista de quem sigo e meter cada twitter no seu saco sem qualquer dúvida. E acho que todos me colocariam no Social (à falta de uma categoria para os compulsivos).

3. Cecília (Sambinha) - 2008/03/04

De facto esta necessidade de definir o que ainda está a crescer a definir-se por si só, não é uma tarefa muito fácil! Ainda assim essas categorias de utilizadores de Twitters que criaste parecem-me mesmo bem apanhadas. :) Quando me perguntam: “Afinal o que é o Twitter e para que serve?” – Não tenho uma resposta simples na ponta da língua. É sem dúvida das ferramentas da web que mais dificuldade tenho em “trocar por miúdos” e fazer ver a sua utilidade.

4. Paulo Querido - 2008/03/05

Certo, Alcides, dá para engavetar todos nas calmas.
Eu sem dúvida sou um Oportunista.
Carlos, mencionei este post no Expresso, aqui e também no “meu” TwitterMedia

5. Carlos Duarte - 2008/03/06

Realmente, concordo com a vossa categorização. Claramente o Alcides e a Cecília são os “Sociais”, enquanto o Paulo figura nos “Oportunistas”. Acredito que também poderia percorrer a minha lista de contactos Twitter e associá-los às seis classes. :)

Paulo, obrigado pela menção. Considero o Twitter (microblogging, em geral) um novo canal com imenso potencial, daí que pretenda continuar a escrever sobre o assunto.

6. Certamente! media: Twitter: dos debates entre Obama e Clinton ao falso Sócrates - 2008/03/11

[...] O Twitter é o serviço web mais revolucionário e marcante depois dos wikis e dos blogues. Até porque não é apenas um serviço para a web: é ubíquo fora da web seja em software específico que corre no nosso desktop, seja no Instant Messaging (Google Talk, MSN só em regime experimental). E também fora da Internet: recebo e envio twitters por SMS, por exemplo, ou sigo os meus contactos através de aplicativos para o telemóvel ou PDA. A fazer dois anos este mês, o Twitter continua em grande medida por explorar. Tem aplicações criativas, como servir de sistema de alertas: há aplicativos externos que avisam com um SMS instantâneo se um um determinado servidor for abaixo. Tem uma forma de interacção por programas externos (API) bem desenhada e robusta — e muito usada. Nos Estados Unidos o Twitter é uma febre — os debates televisivos dos candidatos presidenciais geram quantidades colossais de mensagens, com centenas de milhar em todo o mundo a comentar entre si, apaixonadamente e na forma peculiar do Twitter: cada mensagem tem um limite de 140 caracteres. O cenário é um pouco diferente na Europa, onde se nota algum atraso na adopção do Twitter. Mas diferenciado por países: os britânicos e os franceses “twitterizam” mais que os portugueses, que continuam a resistir galhardamente à inovação e renovação do espaço comunicacional. Parece que quem se atreveu a criar um blogue esgotou nesse acto a sua capacidade para o novo. Mas isso são outros quinhentos. Carlos Duarte, licenciado em jornalismo, identifica no seu blogue seis classes de twitters: [...]

7. Mário - 2008/03/11

Eu sou “oportunista”, mas se utilizar o serviço fora dessa capacidade, estarei na categoria dos reservados. Da forma como uso os instant messaging services hoje em dia quase que podia utilizar o serviço sem mais nada (mensagens telegráficas em vez de conversas extensas).

8. Raquel Camargo - 2008/04/10

Olá
com relação à classe intitulada Arrivista, nao a vejo com olhos pejorativos.
Entendo que o twitter tem inumeras funções, dentre as possibilidades, divulgar posts é uma delas. Portanto, apóio a crianção de uusários desse gênero, que usam o twitter como disseminador de atualizações de um site, fazendo o trabalho do tradicional RSS, porém, de forma mais eficaz e direta! :)

abraço
Raquel Camargo
http://www.raquelcamargo.com e http://www.twitterbrasil.org

9. O Twitter e o mercado da comunicação « Noticiare - 2008/04/29

[...] de Social Media. Assim como, Carlos Duarte, que de uma forma despretensiosa resolveu compilar um “estudo” em que define as características dos utilizadores do Twitter, conhecidos como [...]

10. O Twitter está vivo | (It's) Not About You - 2008/08/14

[...] parte dos países (entre os quais se encontra, naturalmente, Portugal), é interessante recordar um brilhante artigo que o Carlos Duarte publicou no passado mês de Março. O Carlos parece ser bem menos céptico do que eu relativamente ao [...]

11. jorge - 2008/11/02

Pelo que parece faz parte do “Introvertido – As actualizações são privadas.” …. :-)

12. William - 2009/02/26

Duarte, neste momento em que escrevo —penso—, muitas inovações e classificações poderiam ser acrescidas em seu texto.
Recentemente surgiu a possibilidade de twitter para professores utilizarem como ferramenta, a exemplo do Dr. Wally Metts, the Chair of the Department of Communication and Media, da Spring Arbor University ► http://rurl.org/1dwo
Sou professor em duas universidades brasileiras e este ano farei uma experiência com Twitter, motivo pelo qual tenho amealhado tudo sobre o uso e a ferramentaria que envolve o Twitter.
Neste sentido, uso o Twitter tal como o fal o prof. Nepomuceno [http://twitter.com/cnepomuceno] , ou seja: para garimpar bons ambientes de web e material oferecido pelos experts da área em que atuo, o jornalismo.
Aceito dicas e sugestões!

13. Karen Nepomuceno - 2009/06/16

Concordo com as seis classes. Acho que me encontro no “Social”, sempre que posso (e posso sempre), eu estou lá dando uma olhadinha, atualizando algo e conversando com todos.
Me caracterizaria também no “Oportunista”, porque as vezes passo o link do meu blog por alguma update. Mas, afirmo, não é sempre. Só quando acho que deve ser visto por todos. Posto também links de páginas que estou vendo na hora, já tenho o TwitterBar e o TwitterFox como grandes aliados.
Afinal, o twitter é um serviço com pessoas com os comportamentos dos mais variados e essa diversidade que faz a “coisa andar”.