A cobertura televisiva dos últimos momentos de vida do Papa João Paulo II será, no futuro, um estudo de caso de como os jornalistas recriam uma narração de novos acontecimentos mesmo que estes não existam.
Ao longo do dia de hoje, apesar da anunciada degradação do estado de saúde de João Paulo II, não existiram acontecimentos relevantes para além dos comunicados do Vaticano. No entanto, as televisões ainda não pararam de repetir as mesmas imagens e as mesmas perguntas.
Convém recordar Pierre Bourdieu: «Os jornalistas têm os seus “óculos” particulares através dos quais vêem certas coisas e não outras; e vêem de uma certa maneira as que vêem. (…) Os jornalistas, grosso modo, interessam-se pelo excepcional para eles. O que pode ser banal para outros poderá para eles ser extraordinário, ou vice-versa.»