O Papa e o desassossego dos jornalistas (2)

Existe um tempo dos media e um tempo das instituições. Cada um funciona à medida do seu próprio relógio. O Vaticano e a figura papal têm as suas próprias regras há milhares de anos e não devem ajustar-se à velocidade que os jornalistas querem agora imprimir aos acontecimentos.

Este é o segundo internamento de João Paulo II no prazo de um mês. No primeiro internamento, o comportamento dos serviços de comunicação do Vaticano assumiu uma política de “porta aberta” – bem distinta, portanto, da que adopta neste momento. Nessa altura, não se ouviu uma única critica da boca dos jornalistas. Havia novidades.

Ou melhor, houve uma espécie de “bolsa de valores” do estado clínico do Papa. Um dia, os jornalistas diziam que estava a recuperar, noutro dia diziam que estava a piorar. Um sobe e desce que expunha o Papa à sua figura de “homem frágil” e não à figura de “homem santo”. É compreensível que a Igreja pretenda proteger a o seu número um.

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