O Papa e o desassossego dos jornalistas (1)

Os jornalistas vivem das novidades. O problema surge quando essas novidades escasseiam. É como se um professor tentasse dar aulas sem alunos, um piloto tentasse ganhar uma corrida sem combustível ou como se um padeiro tentasse fazer pão sem farinha.

Ao longo da última semana, os jornalistas têm sentido muitas dificuldades em noticiar o mau estado de saúde o Papa João Paulo II. Os serviços de informação do Vaticano limitam ao máximo as fugas de informação (proibindo os médicos de falar com a comunicação social, por exemplo) e convocam os jornalistas para conferências de imprensa onde se fazem briefings pouco elucidativos da real situação clínica do Papa.

Resultado: os jornalistas procuram novidades, mas não conseguem devido à política de sigilo do Vaticano. Então como tentam contornar a situação? Simplesmente criticam essa política de sigilo do Vaticano, sem acrescentar nada de novo aos reduzidos briefings papais.

Os jornais, a rádio e a televisão passaram, assim, a dar voz a uma classe contestária. Os jornalistas versus Vaticano. Os jornalistas criticam e ainda transmitem as críticas dos colegas estrangeiros. Nisto tudo, só estão a esquecer uma coisa muito importante: só porque os jornalistas querem notícias, isso não significa que devem ser eles a gerir a agenda dos serviços de informação do Vaticano. Por isso, os jornalistas estão a agir mal.

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